Cria um mundo de meias-verdades E corre pra não ver sua cria E outra cria se cria Verdade para não ver Felicidade para não falar Acha mesmo que posso amaldiçoar Uma escolha que coube a você criar Cria com fé meu irmão Que eu acredito e te dou a mão Antes que pareça tarde compadecer Que a mão covarde venha te acolher Cria uma outra verdade para me convencer De que não mais me deseja ao amanhecer Cria-te para me criar Uma mentira para acariciar Minha dor em perceber que foi você o criador De tanta mentira em meio a tanto calor
Escrito por Flávia às 02h13
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Hoje
Agradeci a sucessão de acontecimentos que insistiam em não acontecer. Gostei da notícia que me ensurdeceu por alguns minutos e me abriu para a liberdade de somente ser. Lembrei das coisas que têm um único significado para mim e questionei os sentimentos ambíguos. Eu que sempre gostei da complexidade, preferi a verdade nua e crua, sem rodeios e despedidas. Entendi que não preciso me despedir antes de ir embora, por mais doloroso que pareça tem gente que não quer meu adeus. A despedida para essas pessoas simboliza o fim de algo que nunca se concretizou ou o festejo do novo caminho que escolheram e não anunciaram. Me limitei em caminhar e ouvir os barulhos que tem aqui dentro. E só.
Escrito por Flávia às 01h59
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O que há no mundo que não tem em mim é o que eu não posso perceber Está tudo dentro e o incômodo ligeiro não vem sem sentido Entorpece minha sabedoria e cega meu ser os desejos mais profundos Fiquei outrora ouvindo o som externo mais atentamente que o interno Me perdi entre desejos e sonhos mal fundamentados Quando o mundo disse não foi só uma leitura sábia de que estava querendo demais Ir para o lugar errado é achar que a beleza do segundo é mais bonita que o conhecimento de uma vida
Escrito por Flávia às 01h51
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Eu te reconheço moço, sem muito esforço Como coisa apresentada antes eu já sei o que vai acontecer Sem muito esboço sinto o final enaltecer o que antecede De nós dois, de você, do outro lado de mim Quando olhei seus olhos percebi E foi o bastante para acontecer dentro de mim O que já havia acontecido, diferente, por descaso Peguei sua mão por acaso e senti o amor renascer Nasce de mim de novo o que um dia morreu Pouco a pouco se apagou da memória Para ressurgir mais forte outrora
Escrito por Flávia às 17h34
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Eu fico aqui por prazer Só por ele E você prefere os velhos hábitos Eu dou todo amor que sonhou E você some sem saber usar Te faço uma rima E você sai de cima para não te atrasar Tenho calma ao esperar E você prefere ter alguém a te apressar Me distraio para perder a vontade de te ligar E você prefere quem direciona o seu caminhar Tenho a ingenuidade do amor de criança com você E queres a mãe que fica a te esperar Dou só o que posso E você prefere o que já é um fardo Mesmo assim, ainda me disponibilizo a te encontrar E você atrasa o relógio Me tens como queres e finge não saber Para não pensar nesse negócio Que é amar. Mesmo assim não mudo meu jeito Alguém há de sentir a mesma Me amparar Assim sem regras, só por amor mesmo Não por costume, nem por medo Vai chegar para me acalmar Dessa ignorância de sentimentos Mas não me desagrado Deixo esse amor de lado Antes que ache ingrato seu jeito de gostar Guardo de você o que esqueceu em mim quando saiu correndo Hoje o que resta de palpável é o cheiro do medo Do amor que somos capazes Mesmo sem entender, aceito Porque já não faz mais sentido não aceitar Eu recebo de coração aberto Sinto o cheiro e me falta abrigo Para guardar o que esqueceu comigo Quando decidiu se ausentar
Escrito por Flávia às 02h29
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Chega de lirismo e encanto Eu quero mesmo é o canto Que chega assim sem avisar Quero encontrar em teu recanto Um canto pra me aprumar Tenho pressa em calar Para a verdade não matar De vontade o que me é proibido Antigo amigo que acabo de conhecer Dizer que é querido É o que me resta fazer Era querido outra coisa Hoje é só comprometido Que te resta ser. Como vida danço A música que restou Na lembrança se criou Espaço para você tocar O que eu sempre sonhei Até acordada fiquei ouvindo O seu som entoar. Tenho agora só esse papel Para gritar a intensidade Que esse amor com vontade Deixou o seu lugar Partiu com saudade Todo querer voar Para longe e para sempre O sacrifício de esperar Por quem não chega Por medo de deixar Quem não mais se ama Mas não se quer largar O cômodo que lhe foi dado Que precisa de um tempo Eu preciso inventar um A tempo de me salvar Da tristeza que dá Vendo um grande amor voar Pela vida quando a vontade é ficar E a todo tempo se faz Presente no meu canto Que em todo canto querem abafar Por ser errado se querer bem A quem já tem outro bem para amar
Escrito por Flávia às 01h36
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Não precisa fazer sentido, quero ter a doçura rara de ouvir seu silêncio dizendo tudo sobre você. Não vou me encher de certezas porque aí estarei cheia de tudo. Vivo como se nada houvesse, me agarro no inimaginável para não ter que sentir sua ausência. Não estou conseguindo colocar em palavras o que sinto, porque nunca senti nada tão efêmero. Vem e passa com uma despretensão perigosa. Aquela que engana que nada acontece e está um turbilhão tão forte por dentro que nem mesmo vivendo vai se fazer diminuir. A última vez que te vi foi assim, tão urgente que nem pude dizer, não deu tempo. Ocupava-me de sentir os espaços de saudade sendo preenchidos e o coração pulsando. E as próximas vezes têm sido intensas dentro de um não acreditar nem compreender o que não se tem. É cheio porque tem silêncio. É eterno porque não faz sentido. Como não há amanhã, nunca se acabou desde a última vez. Eu pressinto que me enganei mais uma vez, que estou vivendo de migalhas, mas não me convenço porque essa é ainda uma dor muito latente para ser aceita de um dia para o outro. Às vezes me desaparecem todos os elementos conscientes e equilibrados que existem dentro de mim. Fica só a vontade de um grito agudo e descontrolado. Não consigo descrever a música como descrevo o sentimento porque a música pra mim é como a palavra escrita, mais um instrumento para se tornar possível o viver. Eu falo pelas palavras e a música fala por mim. Não vou parar, não por ideologia ou por egoísmo, parar me mata aos poucos. Preciso matar essa sede que me leva a caminhos fascinantes e desconhecidos. Preciso ser eu mesma sem precisar sair de mim para começar a ser você. Fiz isso uma vez e quase que nunca mais me acho. Foi uma loucura excludente, um quase não ser. Daquela vez foi necessário, mas dessa vez há uma leveza que me tranqüiliza e ao mesmo tempo me assusta por ser tão leve e poder não mais ser. Antes sentia medo também, mas era constante, então não tinha problema. Bem diziam que a liberdade era assustadora quando experimentada de tão bela. Por ser muito perfeita, tento me prender ao que você me deu e dentro de mim fica um peso. Assim parece-se mais com o que já sei. Mas logo desconstruo a presa e tenho pressa para viver o que ainda não conheço direito. Fica então uma sensação de não ser palpável por nunca poder ser. É o que escolhi, o outro eu que achei quando me perdi tentando ser outra pessoa. Por isso hoje não paro, construo e desconstruo castelos em mim, porque fora só há o movimento, não o concreto.Tudo que tive de mais concreto na minha vida foram os momentos de lucidez de se saber que nada de sólido a vida me dá. Não posso negar que isso me indigna às vezes e que por ser belo me assusta e me afasta. Fui acostumada com o feio, o mal acabado, o que não se dá jeito. Você me apareceu tão perfeito que pensei e até hoje penso em fugir. Você faz parte da parte que sempre procurei em mim nos outros. Por isso te trato com cuidado, penso em você com carinho para não machucar a melhor parte do meu eu. Quero chegar à exaustão na música, não até onde a técnica pode me levar, mas até onde o meu sentimento não tiver mais pra onde ir. Desconfio que nunca estarei satisfeita, e é isso que me dá certeza de continuar percorrendo esse caminho. Hoje acordei achando que não podia mais, que não conseguiria. E por achar que nada mais podia é que fui mais longe do que qualquer outra vez. Gosto da idéia de que tudo acabou, me dá uma ânsia de viver o novo e uma saudade que me faz escrever e cantar. Hoje queria só ter amanhecido nos teus braços, mais nada. Gosto de música e de você de maneiras parecias hoje e isso é o que mais me assusta. Há algum tempo tinha colocado a arte como minha única paixão, o resto era distração. A palavra eternidade não me assusta, o que me assusta é a tendência de me enganar que tudo está no seu lugar. Nunca tive tanta necessidade de ficar em mim, como agora que te conheci. Parece que se sair de mim vou sair também de você. Quando achei que não podia mais descobri um bocado disponível se esquivando da felicidade. Me sinto um pouco hipócrita por ter tatuado a palavra felicidade no meu corpo. Foi uma pretensão besta de que sempre estaria feliz. Hoje estou triste, queria nada ter no meu corpo, no meu coração. Não queria mais conceitos e filosofias de vida. Hoje nada disso faz sentido. Mas amanhã sei que mesmo me sentindo um pouco falsa, colocarei um sorriso no rosto, me equilibrarei, lerei Clarice Lispector e ouvirei Elis e Chico Buarque, sentirei falta de samba, escreverei no meu blog, lembrarei de você como se nada fosse e acharei normal toda essa distância. Não, não consigo mais fingir que sou aquilo lá. Hoje já está bem diferente, se não agrada eu só consigo lamentar. Não que eu não me importe, agora me importo muito mais, só não consigo me curvar a algo que não mais acredito. Hoje parece que nada aconteceu, que era tudo mentira. Hoje me dou ao direito de te achar mentiroso e covarde. Hoje te julgo por não saber fazer diferente. Daqui a pouco o momento de lucidez volta. Gosto de me equilibrar para que quando o desequilíbrio venha, traga presentes para a minha arte. Gosto da sua mão, do seu suor, do seu cabelo. Mas gosto ainda mais de quando me sinto feliz. E por não ser boba nem nada, tento me alegrar da maneira como posso. Mesmo que seja procurando te esquecer. Basta!
Escrito por Flávia às 02h01
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- Ela é tão livre que um dia será presa. - Presa por quê? - Por excesso de liberdade. - Mas essa liberdade é inocente? - É. Até mesmo ingênua. - Então por que a prisão? - Porque a liberdade ofende. Clarice Lispector
Escrito por Flávia às 00h48
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Já que tá aí, Pela metade, mas tá Melhor cuidar Pra peteca não cair Pra não deixar escapulir Como água no ralo Aquilo que já fez calo Doeu feito joanete Castigou nosso cavalo Cortou como canivete Feriu, mexeu, mixou Nunca comeu melado Vai lambuzar Se vacilar pode cantar pra subir Porque não dá pra começar todo rolo denovo Se o bolo ficar sem ovo Se a massa não tem fermento Se não cozinha por dentro Vai tudo por água abaixo Acho, acho acho que agora tá Quase no ponto já No ponto de provar Pra lá de pronto já No ponto de solar Acho que agora tá Pra lá de pronto já Agora é relaxar Pra gente aproveitar Agora tá- Tunai/Sérgio Natureza
Escrito por Flávia às 18h37
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Não quero sugar todo seu leite Nem quero você enfeite do meu ser Apenas te peço que respeite O meu louco querer Não importa com quem você se deite Que você se deleite seja com quem for Apenas te peço que aceite O meu estranho amor Ah! Mainha deixa o ciúme chegar Deixa o ciúme passar e sigamos juntos Ah! Neguinha deixa eu gostar de você Prá lá do meu coração não me diga Nunca não Teu corpo combina com meu jeito Nós dois fomos feitos muito pra nós dois Não valham dramáticos efeitos Mas o que está depois Não vamos fuçar nossos defeitos Cravar sobre o peito as unhas do rancor Lutemos mas só pelo direito Ao nosso estranho amor Nosso estranho amor- Caetano Veloso
Escrito por Flávia às 18h14
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Fluxo inevitável dentro de nós que transcende as paixões sem limites e as inquietações da mente. A dúvida não resta quando há amor. Piegas que pareça é crença boa do coração. A mente trabalha em seu próprio movimento procura culpa e poupa curvas boas que o pensamento faz quando se ouve uma canção. A vida é eterno movimento, certa provocação. Nos pedem coragem, nos cobram perdão. Esquecem-se da dança. Dançar no compasso das mudanças que acontecem a cada segundo. Segundo esse que não existe. Pouco se fala de liberdade, clareza, compreensão. Suspeitam que algo ruim pode acontecer e que algo bom está por vir. E não há novidade, porque não há visão Que o rio que corre dentro, é coisa séria, não simples superstição
Escrito por Flávia às 03h04
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O que será que me dá Que me bole por dentro, será que me dá Que brota à flor da pele, será que me dá E que me sobe às faces e me faz corar E que me salta aos olhos a me atraiçoar E que me aperta o peito e me faz confessar O que não tem mais jeito de dissimular E que nem é direito ninguém recusar E que me faz mendigo, me faz suplicar O que não tem medida, nem nunca terá O que não tem remédio, nem nunca terá O que não tem receita
O que será que será Que dá dentro da gente e que não devia Que desacata a gente, que é revelia Que é feito uma aguardente que não sacia Que é feito estar doente de uma folia Que nem dez mandamentos vão conciliar Nem todos os unguentos vão aliviar Nem todos os quebrantos, toda alquimia Que nem todos os santos, será que será O que não tem descanso, nem nunca terá O que não tem cansaço, nem nunca terá O que não tem limite
O que será que me dá Que me queima por dentro, será que será Que me perturba o sono, será que me dá Que todos os tremores me vêm agitar Que todos os ardores me vêm atiçar Que todos os suores me vêm encharcar E todos os meus nervos estão a rogar Que todos os meus órgãos estão a clamar E uma aflição medonha me faz implorar O que não tem vergonha, nem nunca terá O que não tem governo, nem nunca terá O que não tem juízo
O QUE SERÁ (À FLOR DA PELE) Chico Buarque - 1976
Escrito por Flávia às 18h12
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Sei que pensa ser mais um experimento da minha vida E é Assim levo as coisas mais lindas Como experiências bem vividas Salto rápido do conforto de se ter Preguiça para reinventar cada momento Cada segundo reflete uma cor Cada instrumento um som Cada som uma sensação De cousa nova As vezes abrigo Ora perigo Sei não É o que reflete de você Quanto mais livre Mais afinado com o todo Quanto mais presente Mais dentro do tempo verdadeiro Que pulsa dentro do nosso ser Esteja presente comigo Leve, releve mais uma vez
Escrito por Flávia às 04h24
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Seu, sua, nada Já mudou Esteve No momento Se transformou Sou do meu ser E só Nem do ego sou Isso já é outra parte de mim Está fora E aparece quando desejo muito Mas logo some com a paz do momento Então hoje eu estou Não pertenço Nem sou Quando sou Já mudou Leve, levo O que é eterno Isso tudo Estou Ainda Mas confesso Querendo Agora O ego voltou Mas vai embora Com a rapidez Que chegou Agora De novo Diferente Do que passou
Escrito por Flávia às 04h13
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Eu não sou daqui nem daí Sou de dentro Não pertenço parentesco As coisas não são minhas São de fora Não sou minha Muito menos sua Seu é pesado Para o ser largado No mundo da emoção Sei de tudo Quando esqueço do mundo Não sinto em vão
Escrito por Flávia às 03h53
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